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terça-feira, 7 de setembro de 2010

Recomendações do US 1º Trimestre - Rastreamento

RECOMENDAÇÕES DA COMISSÃO DE US DA FEBRASGO
RASTREAMENTO ULTRASSONOGRÁFICO DE 1º TRIMESTRE

1- Todo profissional que for fazer o Rastreamento ou exame de triagem de 1º Trimestre deve fazer treinamento específico da técnica, que hoje é conhecida mundialmente e uniformizada.
A Comissão entende que a avaliação de 1º trimestre possa ser realizada de três formas:
A- De forma mínima, através da avaliação da Translucência Nucal (TN) por técnica adequada (descrita abaixo) e confronto com tabela de percentis por idade gestacional (disponível no site da Comissão de US da FEBRASGO). Esta forma de avaliação é recomendada apenas nos casos em que o profissional não dominar a técnica completa, descrita abaixo, até o término de seu treinamento e credenciamento nos programas abaixo, pois o uso isolado da TN tem uma sensibilidade de 75-80%, com elevado número de falsos positivos, aumentado o número de indicações para exames invasivos.
B- A segunda forma seria integrar a TN aos testes bioquímicos de 1º trimestre (Beta-HCG e PAPP-A), recomendando-se que sejam utilizadas valores de referência de nossa população.
C- Por serem grupos mais divulgados no Brasil, a FEBRASGO sugerimos as técnicas, treinamento, programas e auditorias da Fetal Medicine Foundation, de Londres (www.fetalmedicine.com), do Fetaltest - Estudio Multicentrico On Line sobre Cribado Prenatal de Aneuploidias (www.fetaltest.com), coordenado na Espanha. Ambos disponibilizam cursos online e adotam técnicas atualizadas de rastreio de 1º trimestre por ultrassonografia, trazendo opções de se utilizar testes bioquímicos associados.
Alguns preceitos básicos na avaliação de risco para cromossomopatias são:
Todas as mulheres têm risco de ter uma criança com defeitos cromossômicos
O risco basal ou risco a priori depende da idade materna e gestacional
O risco individual (patiente-específico) é calculado multiplicando o risco basal por uma série de riscos relativos , que dependem dos resultados de uma série de testes de rastreio
O risco relativo para uma dada medida ecográfica (ou bioquímica) é calculada através da divisão da percentagem de fetos cromossomicamente anormais pela percentagem de fetos normais com a mesma medida
Sempre que um teste é realizado, o risco basal é multiplicado pelo risco relativo desse teste para se calcular um novo risco, que então se torna o risco basal para o próximo teste
Se os testes não forem independentes, então técnicas mais sofisticadas, envolvendo estudos estatísticos de análise multivariável, podem ser usadas para se calcular o risco relativo combinado.

Abaixo vamos assinalar preceitos técnicos essenciais da avaliação dos principais marcadores de 1º trimestre, extraídos das fontes acima:

2- Alguns pontos da técnica de medida da Translucência Nucal:
A magnificação da imagem deve ser suficiente para a que apenas a cabeça e a parte superior do tórax ocupem toda a tela
Deve ser usado um corte sagital
O feto deve estar em uma posição neutra e a cabeça alinhada com a coluna vertebral. Se o pescoço fetal estiver extendido a medida estará falsamente aumentada e se estiver fletida a medida estará falsamente diminuída
É preciso diferenciar atentamente a linha da pele fetal com o âmnio
A medida deve ser feita utilizando o bordo interno da linha horizontal do caliper colocada SOBRE o bordo da linha que define a transluscência nucal – a barra horizontal do caliper deve ficar de uma forma que fique escondido pela linha branca da NT e não no líquido
Ao se magnificar a imagem ( pré ou pós zoom) é importante diminuir o “ganho” do aparelho. Isso evita o erro de medir a TN com uma linha sem definição o que torna a medida imprecisa e muitas vezes subestimada
Durante o exame, a medida da TN deve ser verificada mais de uma vez, e a maior medida é a que deve ser anotada
Nos casos de circular cervical de cordão, a medida da TN acima e abaixo do cordão são diferentes, então, o cálculo do risco deve usar a média entre as duas medidas
Em 75-80% das trissomias 21 a TN esta acima do percentil 95 na curva de normalidade
Nos fetos com trissomia do 21 não existe relação com espessura da TN e idade materna
A idade materna pode ser combinada com a medida da TN para gerar um screening mais eficaz para as cromossomopatias no primeiro trimestre

TN fetal aumentada está associada a um grupo heterogêneo de condições, sugerindo que pode haver mais de um mecanismo por trás da coleção de fluido na nuca fetal.
Possíveis mecanismos incluem:
Disfunção / Defeitos cardíacos
Congestão venosa na cabeça e pescoço
Composição alterada da matriz extracelular
Deficiência da drenagem linfática
Anemia fetal
Hipoproteinemia fetal
Infecção fetal

Outras considerações importantes:
A prevalência de defeitos cromossômicos aumenta exponencialmente com a medida da TN, de 0,2% para aqueles com a TN entre os percentis (p) 5 e 95 para 65% para aqueles com a TN de 6.5 mm ou mais
No grupo cromossomicamente anormal, cerca de 50% têm trissomia 21, 25% têm trissomia 18 or 13, 10% têm síndrome de Turner, 5% têm Triploidia e 10% têm outro defeito cromossômico
Em fetos cromossomicamente normais, a prevalência de morte fetal aumenta com a medida da TN, de cerca de 1% para aqueles com a TN entre os percentis (p) 95 e 99 para cerca de 20% para aqueles com a TN de 6.5 mm ou mais
A maioria dos fetos que morrem o fazem até a 20a semana e geralmente apresentam uma progressão de TN aumentada até hidropsia fetal severa

3- Alguns pontos da técnica de avaliação do Osso Nasal:
A gravidez deve estar entre 11+0 a 13+6 semanas e o CCN entre 45-84 mm
A magnificação da imagem deve ser a suficiente para que somente a cabeça e a porção superior do tórax ocupem toda a tela
Um corte sagital do perfil fetal deve ser obtido
O transdutor deve estar paralelo ao osso nasal e a sonda deve ser gentilmente inclinada a fim de varrer de um lado ao outro o nariz fetal
Quando os critérios forem preenchidos, três linhas distintas devem ser visualizadas no nariz fetal:
A linha superior representa a pele
A inferior, que é mais grossa e mais ecogênica que a pele acima, representa o osso nasal
Uma terceira linha na frente do osso porém mais apical representa a ponta do nariz
O osso nasal é considerado presente quando for mais ecogênico do que a pele acima dele; e é considerado ausente quando a ecogenicidade for a mesma ou quando o osso não for visibilizado
4- Alguns pontos da técnica de avaliação do Ângulo Facial:
A magnificação da imagem deve ser o suficiente para que somente a cabeça e a porção superior do tórax ocupem toda a tela
Um corte sagital do perfil fetal deve ser obtido
O ângulo facial deve ser medido entre:
Uma linha ao longo da superfície superior do palato
outra linha a qual passa pelo canto supero anterior da maxila e se estende até a fronte fetal, que é representada pelos ossos frontais ou uma linha ecogênica sob a pele abaixo da sutura metópica, a qual está geralmente aberta nesta idade gestacional.

5- Alguns pontos da técnica do Ducto Venoso:
A idade gestacional deve ser entre 11+0 a 13+6 semanas e o CCN entre 45-84 mm
O feto não pode estar em movimento
A magnificação da imagem deve ser o suficiente para que, somente o tórax e o abdômen fetal ocupem toda a tela
Um corte sagital apropriado do tronco fetal deve ser obtido
Deve ser usado o Doppler colorido para identificar a veia umbilical, ducto venoso e coração fetal
O volume de amostra no doppler pulsátil deve ser pequeno (0.5-1.0 mm) a fim de evitar contaminação com vasos adjacentes e o mesmo deve ser colocado na área de aliasing
O ângulo de insonação deve ser menor que 30 graus
O filtro deve ser calibrado com uma frequência baixa (50-70 Hz) a fim de permitir a visualização de toda a onda
A velocidade da onda (sweep speed) deve ser alta (2-3 cm/s) a fim de a onda de fluxo estar amplamente estendida para uma melhor avaliação da onda “a”

6- Alguns pontos da técnica do Fluxo Tricúspide:
O feto deve estar parado
A magnificação deve ser suficiente para que o tórax fetal ocupe toda a tela
Uma imagem apical das quatro câmaras do coração fetal deve ser obtida
O doppler colorido para demonstrar a regurgitação não deve ser utilizado, pois não é confiável para o diagnóstico de regurgitação tricúspide no primeiro trimestre
O volume de amostra do doppler pulsátil deve ser largo (2.0-3.0 mm) e posicionado de um lado até o outro da válvula tricúspide
O ângulo de insonação do fluxo tricúspide não deve ser superior a 30 graus da direção do septo interventricular
A velocidade da onda (sweep speed) deve ser alta (2-3 cm/s) a fim de a onda de fluxo estar amplamente estendida
A válvula tricúspide pode ser insuficiente em uma ou mais das cúspides. Por isso a avaliação da válvula deve ser realizada colocando o volume de amostra 3 vezes e em 3 diferentes lugares na válvula, numa tentativa de avaliar a válvula completamente

7- Algumas considerações sobre a avaliação da Frequência Cardíaca Fetal
É necessário um corte transverso ou longitudinal do coração fetal
Doppler pulsátil é usado para obter 6-10 ciclos cardíacos durante um período de repouso fetal
A frequência cardíaca fetal é calculada pelo software do próprio aparelho de ecografia
Nas gestações normais, a FCF aumenta de cerca de 110 bpm na 5ª semana para 170 bpm na 10ª semana e então, diminui gradualmente até 150 na 14ª semana
Na Trissomia 21, a FCF é moderadamente aumentada, e está acima do percentil 95 em cerca de 15% dos casos
Na Trissomia 18, a FCF está moderadamente reduzida, e está abaixo do percentil 5 em torno de 15% dos casos
Na Trissomia 13 a FCF está visivelmente aumentada e aparece acima do percentil 95 em 85% dos casos
A inclusão da FCF no primeiro trimestre, combinado com a ecografia e bioquímica , tem um impacto pequeno para a detecção das trissomias 21 e 18, contudo, tem um grande impacto na detecção da trissomia 13
A inclusão da FCF é importante para diferenciar entre trissomia 18 e 13, as quais são similares na sua apresentação com TN aumentada e baixa dosagem de β-hCG livre e PAPP-A no sangue materno

8- Algumas considerações sobre TN aumentada

Tanto nos fetos cromossomicamente anormais quanto nos euploides há uma elevada associação entre TN aumentada e defeitos cardíacos
Em fetos com TN aumentada, com ou sem defeitos cardíacos importantes, há evidência de regurgitação tricúspide ao estudo Doppler
Anemia fetal está associada à circulação hiperdinâmica, e a hidropsia fetal surge quando o déficit de hemoglobina fetal é maior que 7 g/dL. Tanto para a hidropsia fetal imume quanto a não-imune. Contudo, na isoimunização por fator Rh a anemia fetal grave não ocorre antes das 16 semanas de gestação, presume-se que isso se deve ao sistema reticuloendotelial fetal ser muito imaturo para destruir os eritroblastos revestidos com os anticorpos. Consequentemente a isoimunização por fator Rh não tem apresentação clínica de TN aumentada
Em contraste, a anemia fetal de causa genética (α-talassemia, anemia de Blackfan-Diamond, porfiria eritropoiética congenita, anemia de Fanconi) e possivelmente a anemia relacionada com as infecções congenitas podem apresentar TN aumentada
Em cerca de 10% dos casos de hidropsia fetal “inexplicada” no segundo e terceiro trimestres, existe evidência de infecção materna recente e, nestes casos, os fetos também estão infectados
Em contraste, nas gestações euplóides com TN aumentada, apenas 1,5% das gestantes apresentam evidência de infecção recente e os fetos estão raramente infectados. Portanto, nas gestações com TN aumentada a prevalência de infecção materna com os organismos do grupo TORCH pode não ser maior que na população geral
TN aumentada em fetos euplóides não é indicação para a busca de infecção materna, exceto quando a translucência evolui com edema nucal ou hidropsia no segundo ou terceiro trismestres de gestação
A única infecção relatada em associação com TN aumentada é a causada pelo Parvovírus B19. Nessa condição, a TN aumentada foi atribuída à disfunção miocárdica ou anemia fetal devida à supressão da hematopoiese
A prevalência de defeitos cromossômicos aumenta exponencialmente com a medida da TN, de 0,2% para aqueles com a TN entre os percentis (p) 5 e 95 para 65% para aqueles com a TN de 6.5 mm ou mais
No grupo cromossomicamente anormal, cerca de 50% têm trissomia 21, 25% têm trissomia 18 or 13, 10% têm síndrome de Turner, 5% têm Triploidia e 10% têm outro defeito cromossômico
Em fetos cromossomicamente normais, a prevalência de morte fetal aumenta com a medida da TN, de cerca de 1% para aqueles com a TN entre os percentis (p) 95 e 99 para cerca de 20% para aqueles com a TN de 6.5 mm ou mais
A maioria dos fetos que morrem o fazem até a 20a semana e geralmente apresentam uma progressão de TN aumentada até hidropsia fetal severa
Anomalias fetais major são definidas como aquelas que requerem tratamento médico e/ou cirúrgico ou condições associadas com deficiência mental. A prevalência de defeitos fetais major em fetos cromossomicamente normais aumenta coma a medida da TN, de 1,5%, naqueles com TN abaixo do percentil (p) 95, para 2,5% para aqueles com percentis entre 95 e 99 e exponencialmente após isso para cerca 45% para a TN de 6,5 mm ou mais
Analisando fetos com TN de 3.5 - 4.4 mm:
Em 100 fetos com TN entre 3.5 - 4.4 mm diagnosticados às 12 semanas 20 terão cromossomopatias e 80 serão euplóides
Dentre os 80 fetos euplóides haverão 2 (2.5%) que morrerão durante as semanas subsequentes
Soma-se ainda que 8 dos 80 fetos euplóides (10%) serão portadores de defeitos major
Os 70 fetos euplóides restantes sem defeitos major serão nativivos saudáveis

Fontes: Fetal Medicine Foundation, de Londres (www.fetalmedicine.com), do Fetaltest - Estudio Multicentrico On Line sobre Cribado Prenatal de Aneuploidias (www.fetaltest.com)


Exemplo de Relatório:
ECOGRAFIA OBSTÉTRICA MORFOLÓGICA DE Iº TRIMESTRE COM RASTREAMENTO CROMOSSÔMICO (sem Doppler colorido)

Útero grávido, contendo feto com batimentos cardíacos e movimentos presentes.
Líquido amniótico em quantidade normal.
Placenta com inserção predominantemente _.
Anexos sem particularidades ao exame ecográfico.
Não foram identificadas malformações fetais passíveis de diagnóstico nesta idade gestacional.

MARCADORES:
Idade materna: _ anos
CCN: _ mm
Translucência Nucal: _ mm
FCF: _ bpm
Osso nasal: presente
Revisão da anatomia fetal sem alterações detectáveis nesta idade gestacional.

CÁLCULO DE RISCO FETAL PARA DOENÇAS CROMOSSÔMICAS
Trissomia do cromossomo 21 (S. Down):
- Baseado na Idade Materna: 1/ _
- Risco Ajustado*: 1/ _
Trissomia do cromossomo 18:
- Baseado na Idade Materna: 1/ _
- Risco Ajustado*: 1/ _
Trissomia do cromossomo 13:
- Baseado na Idade Materna: 1/ _
- Risco Ajustado*: 1/ _

IMPRESSÃO:
Biometria fetal compatível com gestação de _ semanas de evolução, de acordo com a DUM de _ e com exame_.

* Riscos calculados pela Idade Materna, Translucência Nucal, Osso Nasal e outros Marcadores Ultra-sonográficos de Iº trimestre, segundo a Literatura Médica atual. Via de regra, riscos maiores que 1/50 são considerados altos, recomendando cariotipagem fetal; entre 1/50 e 1/1000 são intermediários e riscos menores que 1/1000 são baixos. Este exame foi realizado seguindo o rigor técnico recomendado pela Fundação de Medicina Fetal de Londres.

sábado, 29 de maio de 2010

DISCUSSÃO INICIAL - RASTREAMENTO DE 1º TRIMESTRE

Mantendo a sistemática anterior, inicio a discussão do Rastreamento Cromossômico de 1º Trimestre com uma sugestão, o meu modelo.

Aguardo Críticas. Estou elaborando as orientações gerais.
Vou adotar a atitude de recomendar as normas da FMF, mas gostaria que definissemos isto em grupo.
Em tese, acredito que devamos ter uma "auditoria" interna, na Febrasgo, apesar de explicitamente nos basearmos na FMF, que comanda estas recomendações mundialmente.
Jorge Telles
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ECOGRAFIA OBSTÉTRICA MORFOLÓGICA DE Iº TRIMESTRE COM RASTREAMENTO CROMOSSÔMICO (sem Doppler colorido)

Útero grávido, contendo feto com batimentos cardíacos e movimentos presentes.
Líquido amniótico em quantidade normal.
Placenta com inserção predominantemente _.
Anexos sem particularidades ao exame ecográfico.
Não foram identificadas malformações fetais passíveis de diagnóstico nesta idade gestacional.

MARCADORES:
Idade materna: _ anos
CCN: _ mm
Translucência Nucal: _ mm
FCF: _ bpm
Osso nasal: presente
Revisão da anatomia fetal sem alterações detectáveis nesta idade gestacional.

CÁLCULO DE RISCO FETAL PARA DOENÇAS CROMOSSÔMICAS
Trissomia do cromossomo 21 (S. Down):
- Baseado na Idade Materna: 1/ _
- Risco Ajustado*: 1/ _
Trissomia do cromossomo 18:
- Baseado na Idade Materna: 1/ _
- Risco Ajustado*: 1/ _
Trissomia do cromossomo 13:
- Baseado na Idade Materna: 1/ _
- Risco Ajustado*: 1/ _

IMPRESSÃO:
Biometria fetal compatível com gestação de _ semanas de evolução, de acordo com a DUM de _, com DPP ecográfica para _ (+/- 4 dias).

* Riscos calculados pela Idade Materna, Translucência Nucal, com avaliação do Osso Nasal e outros Marcadores Ultra-sonográficos de Iº trimestre, segundo a Literatura Médica atual. Via de regra, riscos maiores que 1/100 são considerados altos, recomendando cariotipagem fetal; entre 1/100 e 1/1000 são intermediários e riscos menores que 1/1000 são baixos. Este exame foi realizado seguindo o rigor técnico recomendado pela Fundação de Medicina Fetal de Londres.

CRÍTICA FINAL - 2º TRIMESTRE OBSTÉTRICA MORFOLÓGICA

Abaixo submeto o último texto da US Obstétrica Morfológica, que ficou após as sugestões.
Por Favor critiquem ou aprovem para encerrarmos esta etapa.
Um abraço.

Jorge Telles
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ULTRASSONOGRAFIA OBSTÉTRICA MORFOLÓGICA ou
ESTUDO MORFOLÓGICO FETAL

Orientações gerais
- A Comissão de Ultrassonografia da Febrasgo alerta que a US Obstétrica Morfológica difere da US Obstétrica Simples, como ilustra o quadro abaixo:
==> tabela com anexo abaixo.

- Recomenda-se que seja acompanhada de uma US Obstétrica Simples.
- Recomenda-se que seja realizada de forma sistematizada e seqüencial, de forma que sejam analisados todos segmentos e sistemas fetais, buscando diagnosticar ou descartar o maior número de defeitos estruturais fetais.
- Abaixo é mostrada uma figura com os principais cortes ultrassonográficos recomendados na literatura atual.

==> Figura na apresentação ao lado.

Objetivos e finalidades específicas do exame:
- Detecção de defeitos estruturais fetais
- Avaliação de biometria fetal complementar
- Orientar diagnóstico sindrômico

Passos essenciais do exame, que recomendamos constar no relatório descritivo
• Ultrassonografia Obstétrica Simples
• Biometria Complementar
• Cortes ultrassonográficos fundamentais:
- 3 cortes tradicionais da US simples (plano transtalâmico, abdômen, fêmur).
- 3 cortes para avaliação do encéfalo e face (plano transventricular, transcerebelar e lábios/narinas/pálato). Recomeda-se também avaliação da distância interorbital e mandíbula.
- 3 cortes para avaliação da superfície fetal (coluna longitudinal, coluna transversal e parede abdominal).
- 3 cortes para avaliação do coração (quatro câmaras, VE e aorta, VD e art pulmonar).
- 3 cortes para avaliação do tronco fetal (estômago/diafragma/coração, arco aórtico e ductal, rins e bexiga). De forma mneumônica: Aorta, Bexiga, Coração, Diafragma, Estômago, Fígado.
- 3 cortes para avaliação dos membros, (3 ossos membros superiores, 3 ossos membros inferiores, orientação dos pés.

• Todas estruturas devem ser examinadas quanto a forma, simetria (no caso de membros), tamanho (confronto com tabelas de normalidade para a idade gestacional).
• Descrição da morfologia fetal
• Conclusões do exame.

Biometria fetal complementar:
• Avaliação biométrica complementar da cabeça (cerebelo, ventrículos e cisternas, órbitas, mandíbula)
• Avaliação biométrica do abdômen
• Recomenda-se medir pelo menos 1 osso por segmento (exemplo fêmur e tíbia, pé), porém a avaliação subjetiva de simetria e normalidade pode ser utilizada, com a devida experiência do examinador.

Impressão ou conclusão do exame:
• Observações relevantes do exame (descrição de malformações, alterações diversas da normalidade).
• Possibilidades de diagnóstico sindrômico.
• Mencionar limitações do exame. Exemplo: “O Estudo Morfológico não detectou alterações, tendo-se que levar em conta as limitações deste método diagnóstico por imagem, que pode detectar até 80% dos defeitos congênitos, especialmente os maiores.”

Recomendações especiais:
1. A comissão recomenda que a avaliação fetal de 2º trim (22-24sem), seja complementada pela medida do colo via transvaginal para rastreamento de trabalho de parto prematuro e pelo Doppler de uterinas para rastreamento de pré-eclâmpsia e restrição intra-uterina do crescimento fetal.

2. Recomenda-se o amplo uso do mapeamento doppler colorido durante a avaliação morfológica fetal, para tanto a utilização deste recurso ser remunerada separadamente do exame.

3. Diante da prevalência e magnitude das cardiopatias congênitas na morbidade perinatal, que avaliação cardíaca no Estudo Morfológico seja o mais completa possível, entendendo-se que os cortes básicos devem fazer parte da formação de todos ultrassonografistas que estudam e fazem a avaliação morfológica fetal. Esta avaliação cardíaca, segundo a ISUOG (International Society of Ultrasound in Obstetrics and Gynecology) deve ser realizada em populações de baixo risco, reservando-se a ecocardiografia fetal para quando o risco superar aquele esperado para populações de baixo risco. Entretanto, a avaliação cardíaca fetal exige formação e tempo de exame que justificam remuneração adequada, acrescida ao valor da ultrassonografia morfológica. Na impossibilidade de adequada avaliação cardíaca no US morfológico ou a suspeita de malformação estrutural deve-se indicar a complementação por ecocardiografia fetal com doppler colorido.


Modelo (exemplo):
ECOGRAFIA OBSTÉTRICA COM ESTUDO MORFOLÓGICO FETAL

Feto único, em situação _ e apresentação _, com dorso _.
Movimentos corporais e batimentos cárdio-fetais presentes.
Placenta com implantação _, corporal.
Cordão umbilical contendo 3 vasos, tendo sua implantação aparentemente central.
Líquido amniótico em quantidade normal. ILA= _cm.

BIOMETRIA FETAL BÁSICA: Medida (Valor de Ref)
Diâmetro Biparietal: _ cm
Circunferência Cefálica: _ cm
Circunferência Abdominal: _ cm
Comprimento Fêmures: _ cm

BIOMETRIA FETAL COMPLEMENTAR
Diâm. Transv. Cerebelar: _ cm
Diâm. Cisterna Magna: _ cm (VR até 1,0cm)
Prega Nucal: _ cm (VR até 0,6cm)
Diâm. Corno Post. Ventr.Lateral: _ cm (VR até 1,0cm)
Diâm. Interorbital: _ cm
Comprimento do Osso Nasal: _ cm (VR >= 0,5cm)
Comprimento Úmeros: _ cm
Comprimento Rádios: _ cm
Comprimento Tíbias: _ cm
Comorimento Pés: _ cm
Peso estimado: _ g (+/- 15%)

DESCRIÇÃO MORFOLÓGICA:
CABEÇA e COLUNA VERTEBRAL
Crânio com aspecto normal, sem defeitos de fechamento aparentes.
Face com conformações normais.
Não se observam sinais de fendas lábio/palatina neste exame.
Encéfalo, fossa posterior e região cervical com morfologia preservada.
Coluna vertebral sem defeitos de fechamento aparentes.

TÓRAX
Pulmões com textura homogênea e ecogenicidade normal.
Situs solitus.
Área cardíaca ocupando cerca de 1/3 da circunferência torácica (normal).
Coração examinado segundo protocolo da ISUOG (International Society of Ultrasound in Obstetrics and Gynecology), não se detectando malformações.
Batimentos cárdio-fetais rítmicos, com freqüência de _ bpm.

ABDÔMEN
Órgãos intra-abdominais habitualmente identificáveis pelo método com aspecto normal, não se constatando visceromegalias.
Rins tópicos, com dimensões normais para a idade gestacional, sem dilatação dos sistemas coletores.
Bexiga visibilizada, sem alterações intrínsecas aparentes.

SUPERFÍCIE FETAL E MEMBROS
Não se detectam defeitos de fechamento da parede abdominal.
Genital externo com aparência normal, morfologicamente _.
Foram visibilizados os 4 membros fetais. Têm proporções normais para a idade gestacional, não se detectando malformações.

CONCLUSÕES e RECOMENDAÇÕES:
Gestação de _ semanas, com crescimento adequado para a Idade Gestacional (percentil próximo ao 50), de acordo com a DUM (_) e exames ecográficos anteriores.
O Estudo Morfológico não detectou alterações, tendo-se que levar em conta as limitações deste método diagnóstico por imagem, que pode detectar até 80% dos defeitos congênitos, especialmente os maiores.

Jorge Telles

CRÍTICA FINAL - 2º-3º TRIMESTRE OBSTÉTRICA SIMPLES

Abaixo submeto o último texto da US Obstétrica, que ficou após as sugestões.
Por Favor critiquem ou aprovem para encerrarmos esta etapa.
Um abraço.

Jorge Telles
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ULTRASSONOGRAFIA OBSTÉTRICA SIMPLES



Orientações gerais
- A Comissão de Ultrassonografia da Febrasgo recomenda que seja expresso no laudo se o exame atual deve servir para datação da gestação, considerando-se a data da última menstruação (DUM), exames anteriores e margem de erro na predição da idade gestacional. Esta margem de erro da estimativa da Data Povável do parto (40 semanas) do exame de referência se manterá ao longo da gestação.
- A data da última menstruação (DUM) tem uma margem de erro aproximada de +/- 3 dias, decorrentes das vitalidades do óvulo após a ovulação e dos espermatozóides.
- A US no primeiro trimestre tem margem de erro na estimativa da idade gestacional de +/- 4 dias, sendo que, dependendo da resolução do aparelho e da precisão da medida na fase embrionária, deve-se preferir uma US realizada de 11 a 13+6, onde os limites anatômicos são mais definidos.
- Uma vez determinado que uma ultrassonografia precoce datará a gestação, o ultrassonografista pode calcular a data provável do parto (DPP-eco) que orientará o acompanhamento obstétrico da gestação.
- Caso um exame anterior ou a DUM estejam datando mais corretamente a gestação, recomenda-se uma análise do crescimento fetal para a idade gestacional, através do percentil de crescimento.
- Na determinação do percentil de crescimento fetal, recomenda-se utilização de tabelas de peso que representem melhor a população brasileira, decorrentes de bancos de dados nacionais ou que sabidamente traduzam o biótipo de nossa população. São exemplos as curvas de Lubchenco e Pastore.
- A comissão alerta que a medida de circunferência abdominal (CA) não deve ser levada em consideração na estimativa da Idade gestacional, entretanto é a principal medida biométrica na avaliação de crescimento fetal.
- A Ultrassonografia Obstétrica Simples não tem finalidade de avaliação morfológica detalhada, o que deve ser realizado através da US Morfológica ou Estudo Morfológico Fetal.


Objetivos e finalidades específicas do exame:
- Avaliação do posicionamento fetal no útero
- Avaliação dos batimentos cardio-fetais
- Avaliação do crescimento fetal
- Avaliação da placenta e líquido amniótico (qualitativa e/ou quantitativa).
- Avaliação sumária da morfologia fetal, especialmente para detecção de defeitos congênitos maiores.

Passos essenciais do exame, que recomendamos constar no relatório descritivo
Número de fetos, posição no útero, batimentos cárdio-fetais.
Localização da placenta. Descrever anormalidades.
Avaliação do líquido amniótico. Descrever anormalidades.

Biometria fetal sumária segundo Hadlock:
Avaliação biométrica da cabeça (diâmetro biparietal e circunferência cefálica)
Avaliação biométrica do abdômen (circunferência abdominal)
Comprimento do fêmur.

Impressão ou conclusão do exame:
Idade gestacional. Mencionar embasamento do cálculo (DUM, exames anteriores, data de US prévio específico, data provável do parto calculada anteriormente).
Percentil de crescimento.
Observações relevantes do exame (descrição de malformações, alterações diversas da normalidade).


Modelo (exemplo)

ECOGRAFIA OBSTÉTRICA SIMPLES

Feto único, em situação _ e apresentação _, com dorso à _.
Movimentos corporais e batimentos cárdio-fetais presentes (_ bpm).
Placenta com implantação _.
Líquido amniótico em quantidade _.
A avaliação da anatomia fetal não demonstrou alterações maiores no presente estudo.*

BIOMETRIA FETAL:
Diâmetro Biparietal: _ cm
Circunferência Cefálica: _ cm
Circunferência Abdominal: _ cm
Comprimento Fêmures: _ cm
Peso estimado: _ g (+/- 15%)

IMPRESSÃO:
Gestação de _ semanas, com crescimento adequado para a Idade Gestacional (percentil próximo ao _), de acordo com a DUM (_) e exames ecográficos anteriores.
* Este exame não tem finalidade de avaliação morfológica detalhada.

CRÍTICA FINAL - 1º TRIMESTRE-EMBRIÃO

Abaixo submeto o último texto da US 1º trimestre precoce, que ficou após as sugestões.
Por Favor critiquem ou aprovem para encerrarmos esta etapa.
Um abraço.

Jorge Telles
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ULTRASSONOGRAFIA OBSTÉTRICA INICIAL ou EMBRIONÁRIA
(até 10+6 semanas)

Orientações Gerais:
- Deve-se preferir a via transvaginal na fase embrionária.
- Recomendamos utilização da mesma unidade de medida em todo laudo (mm ou cm).
- Nas gestações gemelares deve-se fazer diagnóstico de corionicidade sempre que possível.
- Os sinais de mau prognóstico de gestações iniciais devem ser mencionados, tais como vesícula vitelínica hidrópica, desproporção entre diâmetro do saco gestacional e CCN, frequência e ritmo cardíacos anormais para a idade gestacional, malformações embrionárias.
- Na aquisição de imagens deve-se procurar magnificação adequada da imagem para melhor avaliação morfológica e aferição biométrica, procurando-se evitar os possíveis erros de aferição do CCN, mais frequentes na fase embrionária.

Objetivos do exame:
- Identificação e descrição do saco gestacional no interior do útero
- Identificação e descrição do embrião (ões)
- Identificação dos batimentos cárdio embrionários.
- Avaliação do tecido corial e eventuais hematomas subcoriônicos
- Avaliação sumária da morfologia embrionária, correlacionando com a idade gestacional.
- Datação da gestação através de confrontação da data da última menstruação com a sono embriologia.

Passos essenciais do exame, que recomendamos constar no relatório descritivo:
- Número e características do saco gestacional.
- Em cada saco gestacional descrever a presença de embrião, número e batimentos cardíacos.
- Presença e características da vesícula vitelínica.
- Avaliar anexos uterinos e, caso identificado, localização e características do corpo-lúteo.
- Impressão com idade gestacional, concordância ou não com a idade menstrual, tipo de gestação (única ou gemelar),

PARÂMETROS BIOMÉTRICOS RECOMENDADOS
Diâmetro médio do saco gestacional
Comprimento crânio nádega (CCN)
Diâmetro da vesícula vitelínica


Exemplo de laudo:

ECOGRAFIA OBSTÉTRICA TRANSVAGINAL (EMBRIONÁRIA)

Útero contendo saco gestacional com contornos regulares
Foi identificado embrião com batimentos cardíacos rítmicos.
Frequência cardíaca de _ bpm.
Diâmetro médio do saco gestacional de _mm.
Comprimento crânio caudal de _mm.
Vesícula vitelina medindo _mm, sem alterações patológicas aparentes.
Tecido corial com aspecto normal.
Anexos sem particularidades ao exame ecográfico.
Corpo-lúteo visibilizado no ovário _.

IMPRESSÃO:
Sono embriologia compatível com gestação de _ semanas de evolução, de acordo com a DUM de _, com DPP estimada para _.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Novas sugestões de modelo para Morfológico

ULTRASSONOGRAFIA OBSTÉTRICA MORFOLÓGICA ou
ESTUDO MORFOLÓGICO FETAL

Orientações gerais
- A Comissão de Ultrassonografia da Febrasgo alerta que a US Obstétrica Morfológica difere da US Obstétrica Simples, como ilustra o quadro abaixo:
==> tabela com anexo abaixo.

- Recomenda-se que seja acompanhada de uma US Obstétrica Simples.
- Recomenda-se que seja realizada de forma sistematizada e seqüencial, de forma que sejam analisados todos segmentos e sistemas fetais, buscando diagnosticar ou descartar o maior número de defeitos estruturais fetais.
- Abaixo é mostrada uma figura com os principais cortes ultrassonográficos recomendados na literatura atual.

==> Figura na apresentação ao lado.

Objetivos e finalidades específicas do exame:
- Detecção de defeitos estruturais fetais
- Avaliação de biometria fetal complementar
- Orientar diagnóstico sindrômico

Passos essenciais do exame, que recomendamos constar no relatório descritivo
• Ultrassonografia Obstétrica Simples
• Biometria Complementar
• Cortes ultrassonográficos fundamentais:
o 3 cortes tradicionais da US simples (plano transtalâmico, abdômen, fêmur).
o 3 cortes para avaliação do encéfalo e face (plano transventricular, transcerebelar e lábios/narinas/pálato). Recomeda-se também avaliação da distância interorbital e mandíbula.
o 3 cortes para avaliação da superfície fetal (coluna longitudinal, coluna transversal e parede abdominal).
o 3 cortes para avaliação do coração (quatro câmaras, VE e aorta, VD e art pulmonar).
o 3 cortes para avaliação do tronco fetal (estômago/diafragma/coração, arco aórtico e ductal, rins e bexiga). De forma mneumônica: Aorta, Bexiga, Coração, Diafragma, Estômago, Fígado.
o 3 cortes para avaliação dos membros, (3 ossos membros superiores, 3 ossos membros inferiores, orientação dos pés).
• Todas estruturas devem ser examinadas quanto a forma, simetria (no caso de membros), tamanho (confronto com tabelas de normalidade para a idade gestacional).
• Descrição da morfologia fetal
• Conclusões do exame.

Biometria fetal complementar:
• Avaliação biométrica complementar da cabeça (cerebelo, ventrículos e cisternas, órbitas, mandíbula)
• Avaliação biométrica do abdômen
• Recomenda-se medir pelo menos 1 osso por segmento (exemplo fêmur e tíbia, pé), porém a avaliação subjetiva de simetria e normalidade pode ser utilizada, com a devida experiência do examinador.

Impressão ou conclusão do exame:
• Observações relevantes do exame (descrição de malformações, alterações diversas da normalidade).
• Possibilidades de diagnóstico sindrômico.
• Mencionar limitações do exame. Exemplo: “O Estudo Morfológico não detectou alterações, tendo-se que levar em conta as limitações deste método diagnóstico por imagem, que pode detectar até 80% dos defeitos congênitos, especialmente os maiores.”

Recomendações especiais:
1. A comissão recomenda que a avaliação fetal de 2º trim (22-24sem), seja complementada pela medida do colo via transvaginal para rastreamento de trabalho de parto prematuro e pelo Doppler de uterinas para rastreamento de pré-eclâmpsia e restrição intra-uterina do crescimento fetal.

2. Recomenda-se o amplo uso do mapeamento doppler colorido durante a avaliação morfológica fetal, para tanto a utilização deste recurso ser remunerada separadamente do exame.

3. Diante da prevalência e magnitude das cardiopatias congênitas na morbidade perinatal, que avaliação cardíaca no Estudo Morfológico seja o mais completa possível, entendendo-se que os cortes básicos devem fazer parte da formação de todos ultrassonografistas que estudam e fazem a avaliação morfológica fetal. Esta avaliação cardíaca, segundo a ISUOG (International Society of Ultrasound in Obstetrics and Gynecology) deve ser realizada em populações de baixo risco, reservando-se a ecocardiografia fetal para quando o risco superar aquele esperado para populações de baixo risco. Entretanto, a avaliação cardíaca fetal exige formação e tempo de exame que justificam remuneração adequada, acrescida ao valor da ultrassonografia morfológica. Na impossibilidade de adequada avaliação cardíaca no US morfológico ou a suspeita de malformação estrutural deve-se indicar a complementação por ecocardiografia fetal com doppler colorido.


Modelo (exemplo):
ECOGRAFIA OBSTÉTRICA COM ESTUDO MORFOLÓGICO FETAL

Feto único, em situação _ e apresentação _, com dorso _.
Movimentos corporais e batimentos cárdio-fetais presentes.
Placenta com implantação _, corporal.
Cordão umbilical contendo 3 vasos, tendo sua implantação aparentemente central.
Líquido amniótico em quantidade normal. ILA= _cm.

BIOMETRIA FETAL BÁSICA: Medida (Valor de Ref)
Diâmetro Biparietal: _ cm
Circunferência Cefálica: _ cm
Circunferência Abdominal: _ cm
Comprimento Fêmures: _ cm

BIOMETRIA FETAL COMPLEMENTAR
Diâm. Transv. Cerebelar: _ cm
Diâm. Cisterna Magna: _ cm (VR até 1,0cm)
Prega Nucal: _ cm (VR até 0,6cm)
Diâm. Corno Post. Ventr.Lateral: _ cm (VR até 1,0cm)
Diâm. Interorbital: _ cm
Comprimento do Osso Nasal: _ cm (VR >= 0,5cm)
Comprimento Úmeros: _ cm
Comprimento Rádios: _ cm
Comprimento Tíbias: _ cm
Peso estimado: _ g (+/- 15%)

DESCRIÇÃO MORFOLÓGICA:
CABEÇA e COLUNA VERTEBRAL
Crânio com aspecto normal, sem defeitos de fechamento aparentes.
Face com conformações normais.
Não se observam sinais de fendas lábio/palatina neste exame.
Encéfalo, fossa posterior e região cervical com morfologia preservada.
Coluna vertebral sem defeitos de fechamento aparentes.

TÓRAX
Pulmões com textura homogênea e ecogenicidade normal.
Situs solitus.
Área cardíaca ocupando cerca de 1/3 da circunferência torácica (normal).
Coração examinado por corte de 4 câmaras e saídas dos grandes vasos, não se detectando malformações.
Batimentos cárdio-fetais rítmicos, com freqüência de _ bpm.

ABDÔMEN
Órgãos intra-abdominais habitualmente identificáveis pelo método com aspecto normal, não se constatando visceromegalias.
Rins tópicos, com dimensões normais para a idade gestacional, sem dilatação dos sistemas coletores.
Bexiga visibilizada, sem alterações intrínsecas aparentes.

SUPERFÍCIE FETAL E MEMBROS
Não se detectam defeitos de fechamento da parede abdominal.
Genital externo com aparência normal, morfologicamente _.
Foram visibilizados os 4 membros fetais. Têm proporções normais para a idade gestacional, não se detectando malformações.

CONCLUSÕES e RECOMENDAÇÕES:
Gestação de _ semanas, com crescimento adequado para a Idade Gestacional (percentil próximo ao 50), de acordo com a DUM (_) e exames ecográficos anteriores.
O Estudo Morfológico não detectou alterações, tendo-se que levar em conta as limitações deste método diagnóstico por imagem, que pode detectar até 80% dos defeitos congênitos, especialmente os maiores.

Jorge Telles

quinta-feira, 1 de abril de 2010

FELIZ PÁSCOA !!!

Para os colegas e familias.
Quem vier a Gramado/Canela entre em contato, pois estarei lá.
Jorge Telles
(51) 91988990

domingo, 28 de março de 2010

Primeiras recomendações da comissão

Caro Trajano e colegas,
Ouso afirmar que temos as primeiras conclusões/recomendações do grupo.
São da US Obstétrica Simples (faço questão de chamar assim, pois acredito que desde PBF, avaliação de crescimento até morfo e Rastreio devem ser feitos por especialistas e US G&O ou Med Fet) e US Obstétrica Inicial ou Embrionária.
Nossos modelos finais para colocação no site estão no blog, mas se preferires posso mandar separadamente para ti.
Na próxima semana vamos nos concentrar em US Morfológico?
Planejaria para a semana que vem a fetal de 1º Trimestre (Rastreio), onde devemos ter alguns posicionamentos importantes, como usar ou não a credenciamento da FMF (criar um nosso?); Estratificar níveis de avaliação de risco (TN+ON => DV, Angulo facial => Reg Tricuspede, por exemplo). Mas este é assunto para a outra semana.
Publicarei a seguir algumas recomendações para Morfológico, a título de sugestão para guiar nossa discussão.
Um abraço.
Jorge Telles

sábado, 27 de março de 2010

Recomendações do US Morfológico

Colgas,
Como lembram, na reunião no congresso o Trajano me permitiu expor algumas idéias sobre minha dissertação de mestrado, inclusive distribuindo um modelo sistematização que resume estas idéias e que foi apresentado como Poster no congresso. Este é o momento de ouvir as colaborações de vocês para criarmos nossa recomendação para o morfológico. Para facilitar a crítica (necessária) às minhas idéias, coloquei ao lado uma apresentação de slides que fiz no congresso do CBR, no ano passado.
Aguardo sugestões e passaremos a redigir as recomendações para o morfológico.
Espero neste fim de semana pegar as últimas sugestões de vocês da US Obst e embrionária (se ainda necessitar).
Um abraço.
Jorge Telles

quinta-feira, 25 de março de 2010

Considerações Gerais das Recomendações

Trajano e colegas,
Pensei que seria interessante colocarmos algumas considerações iniciais, ou gerais, nas recomendações.
Coisas como p.ex (aguardo opiniões retificadoras):
- A ultrassonografia obstétrica é reconhecida hoje como um indiscutível e indispensável método para acompanhamento da gestação.
- Idealmente, em gestações de baixo risco, recomendamos que, idealmente deva ser realizada pelo menos 1 US por trimestre na gestação.
- De uma maneira geral recomendamos, especialmente em saúde pública, na hipótese de se fazer somente uma ecografia na gestação, que seja solicitado o exame ecográfico na idade gestacional de 18-19 semanas ou 18 à 20 cm de altura uterina.
VANTAGENS:
Datação da gestação com erro de +/- 7 dias
Diagnóstico da Gemelaridade e DTG (mola)
Parâmetro para acompanhamento de CIUR
Localização da placenta com diagnóstico de placenta prévia
Estudo da morfologia fetal com diagnóstico de anomalias estruturais fetais maiores

O que acham?
Jorge Telles

sábado, 20 de março de 2010

Publicação dos laudos

Trajano e colegas,
Sugiro que, após tirarmos nossas recomendações finais, publiquemos na FEMINA ou RBGO, com a assinatura da comissão.
Seria possível, Trajano? Certamente seria um estímulo para todos.
Um abraço.
Jorge Telles

ULTRASSONOGRAFIA DE I TRIMESTRE

Colegas:
Acrescento novas sugestões do Cláudio e do Trajano (25/03/2010)

(Compilei alguma sugestões (especialmente dadas no fórum anterior) do US de 1º trimestre. Submeto a vocês, lembrando que é importante a opinião de toda comissão (já que nosso nome aparecerá na assinatura das decisões, não é presidente?).
Como foi sugerido pelo Galluzzo, dividiremos a US de primeiro trimestre em duas.)

ULTRASSONOGRAFIA OBSTÉTRICA INICIAL ou EMBRIONÁRIA
(até 10+6 semanas)

Orientações Gerais:
- Deve-se preferir a via transvaginal na fase embrionária.
- Recomendamos utilização da mesma unidade de medida em todo laudo (mm ou cm).
- Nas gestações gemelares recomendamos que deve-se fazer diagnóstico de corionicidade no 1º trimestre, cuja técnica está amplamente descrita na literatura médica.
- Os sinais de mau prognóstico de gestações iniciais devem ser mencionados, tais como vesícula vitelínica hidrópica, desproporção entre diâmetro do saco gestacional e CCN, freqüência e ritmo cardíacos anormais para a idade gestacional, malformações embrionárias.
- Na aquisição de imagens deve-se procurar magnificação adequada da imagem para melhor avaliação morfológica e aferição biométrica, procurando-se evitar os possíveis erros de aferição do CCN, mais freqüentes na fase embrionária.

Objetivos do exame:
- Identificação e descrição do saco gestacional no interior do útero
- Identificação e descrição do embrião (ões)
- Identificação dos batimentos cárdio-embrionários.
- Avaliação do tecido corial, com avaliação de corionicidade e descrição de eventuais hematomas subcoriônicos.
- Avaliação sumária da morfologia embrionária, correlacionando com a idade gestacional.
- Datação da gestação através de confrontação da data da última menstruação com a sono-embriologia.

Passos essenciais do exame, que recomendamos constar no relatório descritivo:
- Número e características do saco gestacional.
- Em cada saco gestacional descrever a presença de embrião, número e batimentos cardíacos.
- Presença e características da vesícula vitelínica.
- Avaliar anexos uterinos e, caso identificado, localização e características do corpo-lúteo.
- Impressão com idade gestacional, concordância ou não com a idade menstrual, tipo de gestação (única ou gemelar),

PARÂMETROS BIOMÉTRICOS RECOMENDADOS
• Diâmetro médio do saco gestacional
• Comprimento crâneo-nádega (CCN)
• Diâmetro da vesícula vitelínica
. Freqüência cardíaca embrionária


Modelo-exemplo:

ECOGRAFIA OBSTÉTRICA TRANSVAGINAL (EMBRIONÁRIA)

Útero grávido, contendo saco gestacional com contornos regulares
Foi identificado embrião único, apresentando batimentos cardíacos regulares.
Diâmetro médio do saco gestacional de _mm.
Comprimento crâneo-caudal de _mm.
Freqüência cardíaca embrionária de _bpm.
Vesícula vitelina medindo _mm, sem alterações patológicas aparentes.
Tecido corial com aspecto normal.
Anexos sem particularidades ao exame ecográfico.
Corpo-lúteo visibilizado no ovário _.

IMPRESSÃO:
Sono-embriologia compatível com gestação de _ semanas de evolução (de acordo com a DUM de _).

domingo, 14 de março de 2010

Endereço do Fúrum que utilizamos no início.

Pessoal,
Tivemos algumas sugestões interessantes antes do blog, que estão publicadas no fórum, abaixo.

http://forum.braslink.com/forum/ShowForum.cfm?Forum=1379

Jorge Telles

sábado, 13 de março de 2010

Modelo Recomendações US Obstétrica

ABAIXO UMA VERSÃO CORRIGIDA, COM AS SUGESTÕES DOS COLEGAS.
__________________________________
ULTRASSONOGRAFIA OBSTÉTRICA SIMPLES



Orientações gerais
- A Comissão de Ultrassonografia da Febrasgo recomenda que seja expresso no laudo se o exame atual deve servir para datação da gestação, considerando-se a data da última menstruação (DUM), exames anteriores e margem de erro na predição da idade gestacional. Esta margem de erro da estimativa da Data Povável do parto (40 semanas) do exame de referência se manterá ao longo da gestação.
- A data da última menstruação (DUM) tem uma margem de erro aproximada de +/- 3 dias, decorrentes das vitalidades do óvulo após a ovulação e dos espermatozóides.
- A US no primeiro trimestre tem margem de erro na estimativa da idade gestacional de +/- 4 dias, sendo que, dependendo da resolução do aparelho e da precisão da medida na fase embrionária, deve-se preferir uma US realizada de 11 a 13+6, onde os limites anatômicos são mais definidos.
- Uma vez determinado que uma ultrassonografia precoce datará a gestação, o ultrassonografista pode calcular a data provável do parto (DPP-eco) que orientará o acompanhamento obstétrico da gestação.
- Caso um exame anterior ou a DUM estejam datando mais corretamente a gestação, recomenda-se uma análise do crescimento fetal para a idade gestacional, através do percentil de crescimento.
- Na determinação do percentil de crescimento fetal, recomenda-se utilização de tabelas de peso que representem melhor a população brasileira, decorrentes de bancos de dados nacionais ou que sabidamente traduzam o biótipo de nossa população. São exemplos as curvas de Lubchenco e Pastore.
- A comissão alerta que a medida de circunferência abdominal (CA) não deve ser levada em consideração na estimativa da Idade gestacional, entretanto é a principal medida biométrica na avaliação de crescimento fetal.
- A Ultrassonografia Obstétrica Simples não tem finalidade de avaliação morfológica detalhada, o que deve ser realizado através da US Morfológica ou Estudo Morfológico Fetal.


Objetivos e finalidades específicas do exame:
- Avaliação do posicionamento fetal no útero
- Avaliação dos batimentos cardio-fetais
- Avaliação do crescimento fetal
- Avaliação da placenta e líquido amniótico (qualitativa e/ou quantitativa).
- Avaliação sumária da morfologia fetal, especialmente para detecção de defeitos congênitos maiores.

Passos essenciais do exame, que recomendamos constar no relatório descritivo
• Número de fetos, posição no útero, batimentos cárdio-fetais.
• Localização da placenta. Descrever anormalidades.
• Avaliação do líquido amniótico. Descrever anormalidades.

Biometria fetal sumária segundo Hadlock:
• Avaliação biométrica da cabeça (diâmetro biparietal e circunferência cefálica)
• Avaliação biométrica do abdômen (circunferência abdominal)
• Comprimento do fêmur.

Impressão ou conclusão do exame:
• Idade gestacional. Mencionar embasamento do cálculo (DUM, exames anteriores, data de US prévio específico, data provável do parto calculada anteriormente).
• Percentil de crescimento.
• Observações relevantes do exame (descrição de malformações, alterações diversas da normalidade).


Modelo (exemplo)

ECOGRAFIA OBSTÉTRICA SIMPLES

Feto único, em situação _ e apresentação _, com dorso à _.
Movimentos corporais e batimentos cárdio-fetais presentes (_ bpm).
Placenta com implantação _.
Líquido amniótico em quantidade _.
A avaliação da anatomia fetal não demonstrou alterações maiores no presente estudo.*

BIOMETRIA FETAL:
• Diâmetro Biparietal: _ cm
• Circunferência Cefálica: _ cm
• Circunferência Abdominal: _ cm
• Comprimento Fêmures: _ cm
• Peso estimado: _ g (+/- 15%)

IMPRESSÃO:
Gestação de _ semanas, com crescimento adequado para a Idade Gestacional (percentil próximo ao _), de acordo com a DUM (_) e exames ecográficos anteriores.
* Este exame não tem finalidade de avaliação morfológica detalhada.


Jorge Telles
20/03/2010

quinta-feira, 11 de março de 2010

FÓRUM COM MAIS RECURSOS!

Colegas,
Os Blogs têm mais recursos que nosso fórum anterior.
Caso nos adaptarmos permanecemos somente com o blog.
Por favor se manifestem.
Jorge Telles